domingo, 4 de março de 2012

O Império Português e a Concorrência Internacional

O Império Português em Crise

Em meados do século XVI, o império português atravessou uma crise causada por:
·         Recuperação da Rota do Levante pelos Muçulmanos e consequente perda do monopólio das especiarias
·         Ataques de piratas ingleses, holandeses e franceses, encarecendo os produtos e pondo em causa o Tratado de Tordesilhas
·         Fracos recursos económicos e administração corrupta dificultavam a manutenção de um vasto império
·         Falta de população para povoar as terras descobertas
Por estes motivos, os portugueses viram-se forçados a abandonar algumas terras descobertas.
Entretanto, o império espanhol atingia o seu apogeu depois da circum-navegação de Fernão de Magalhães e Sebastião d’Elcano, sendo a maior potência comercial e colonial da época.

Crise de Sucessão

O desaparecimento de D. Sebastião (na Batalha de Alcácer-Quibir) sem deixar descendência, levou em 1580 a uma Crise Dinástica. À sua sucessão propunham-se três candidatos:
·         D. Filipe II de Espanha, apoiado pela Nobreza e Clero
o   Possuía Impérios coloniais
o   Propunha-se a pagar os resgates aos prisioneiros de Alcácer-
-Quibir
o   Trazia dinheiro e riqueza
o   Apesar disso, comprometia a Independência

·         D. António, Prior do Crato, apoiado pelo povo
o   Não possui dinheiro nem impérios
o   Ainda assim, assegura a Independência

·         D. Catarina de Bragança
o   É mulher, característica desvantajosa na época
o   Não possui dinheiro nem impérios
o   Ainda assim, assegura a Independência

Em 1581, nas Cortes de Tomar, Filipe II de Espanha (I de Portugal) foi eleito. Forma-se a União Ibérica, ou seja, os dois reinos de Portugal e Espanha são governados por um mesmo rei, naquilo a que se chama uma Monarquia Dualista. Entre 1590 e 1640 Portugal esteve sob domínio filipino. D. Filipe I reconheceu a autonomia de Portugal e deu alguns direitos:

·         Manter o português como língua oficial
·         Manter o uso da moeda portuguesa
·         Os altos cargos da Administração de Portugal e a Igreja portuguesa só podiam ser ocupados por portugueses
Estas eram condições importantes, já que a língua e a moeda são dois dos símbolos de identidade de uma nação.
Apesar de Filipe I ter cumprido estas promessas, o mesmo não aconteceu com os seus sucessores Filipe II e III (respectivamente, III e IV de Espanha).
Descontentes com o Tratado de Tordesilhas, holandeses, ingleses e franceses começaram a atacar barcos e possessões portugueses e espanhóis.


Uma nova potência marítima: a Holanda. O Império Inglês e o Capitalismo Comercial

No século XVII, a Espanha e Portugal perderam o seu monopólio dos mares. Defendendo o principio do mare liberum, os países como a Holanda e a Inglaterra alargaram o seu comércio e os seus domínios coloniais.

Paralelamente, desenvolveram novas e modernas formas de desenvolver, organizar e dominar o comércio, criando grandes companhias de comércio e novas instituições financeiras como bancos *, companhias de seguros e bolsas de valores.

O comércio realizou-se pelas rotas do Cabo e no Atlântico onde se desenvolveu um activo comércio triangular, entre o continente africano, a América e a Europa. Os produtos coloniais, as especiarias, os escravos e o ouro, foram algumas das principais mercadorias que circulavam nestas rotas.

*Os capitais provenientes de lucros obtidos com comércio ou com a acumulação de metais preciosos permitiram dinamizar os bancos que, reinvestindo esses capitais, efectuando empréstimos para a actividade produtiva ou de outra natureza, a troco de um juro, tinham como objectivo aumentar os seus lucros.


Em 1637 começavam a surgir motins por todo o país. Todas as classes estavam descontentes: a burguesia estava a perder o controlo do tráfego do açúcar; os impostos aumentaram fazendo com que o povo entrasse em revolta e os nobres viam assim o fim do império filipino e o desinteresse de Filipe IV pelos assuntos portugueses. As revoltas ainda iam ser mais quando é afirmado que Portugal ia passar a ser uma província espanhola e que muitos nobres tinham de ir combater para a Catalunha.

Com a ajuda dos inimigos de Espanha – França e Inglaterra – devido à cedência portuguesa de Bombaim e Tânger, os nobres reorganizaram o exército e a defesa e venceram os espanhóis nas batalhas de Linhas de Elvas, Ameixial e Montes Claros. Espanha encontrava-se na Guerra dos Trinta Anos que também ajudou os portugueses a vencerem.
A revolução deu-se no dia 1 de Dezembro de 1640 e D. João IV, oitavo duque de Bragança, foi aclamado rei de Portugal.
Portugal também conseguiu restaurar o poder atlântico português na Angola e no Brasil, devido à intervenção dos colonos brasileiros.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Império espanhol da América

Os espanhóis iniciaram a colonização das Antilhas;
Os principais chefes militares espanhóis foram Fernando Cortez (que venceu os Astecas) e Francisco Pizarro ( que venceu os Incas).
Com a conquista os espanhóis passaram a ocupar uma enorme extensão do continente americano.
Obtiveram grandes riquezas com o saque de tesouros, tais como o ouro e a prata que invadiram a Europa desses metais.

Consequências:

  • Pesadas consequências demográficas, a população índia diminuiu de forma brutal à dureza do trabalho obrigatório e sobretudo às doenças levadas pelos colonizadores.
O Comércio à Escala Mundial

Com a expansão ibérica abriram-se novas rotas intercontinentais.
Estas viagens trouxeram aos povos europeus, novos hábitos alimentares e de consumo corrente (açucar, especiarias, frutos e cereais);
Lisboa, Sevilha e Antuérpia tornaram-se os grandes eixos do comércio europeu.
Os burgueses foram a classe social que mais beneficiou com o comércio, comprando mercadorias baratas no local de orgem e vendendo-as muito caras nos principais mercados da Europa.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A Reforma Protestante e a Reação da Igreja Católica


Reformas Religiosas e Contra-Reforma do século XVI
Entre 1379 e 1417, devido a interesses políticos, foram eleitos 2 papas: um em França e outro em Itália, no que ficou conhecido com O Grande Cisma do Ocidente.
A difusão do Humanismo e o avanço da Ciência contribuiu para a criação de um movimento crítico à Igreja.
            àOs papas envolveram-se na política para proveito próprio
            àO clero levava uma vida imoral, de luxo e corrupção
            àOs cargos eclesiásticos eram comprados por pessoas sem experiência
Em 1517, o Papa Leão X, para arranjar fundos para a construção da Basílica de S. Pedro publicou a Bula das Indulgências. Este documento determinava que os fiéis tinham de pagar pela remissão dos pecados
O alemão Martinho Lutero redigiu as 95 Teses contra as Indulgências. Conseguindo alguns aliados, iniciou a reforma protestante, fundando o Luteranismo.
            João Calvino, na Suíça, fundou o Calvinismo
            Henrique VIII, em Inglaterra, fundou o Anglicanismo

Estes movimentos originaram uma resposta por parte da Igreja
1.      Reforma – Reafirmação da doutrina e reorganização da Igreja: Concílio de Trento
2.      Contra-Reforma – combate ao protestantismo e outras religiões, através do fortalecimento da Inquisição e do Índex (conjunto de livros proibidos)
Contra-Reforma
            A Contra-Reforma incidiu sobre três campos:
1.      Companhia de Jesus, com o objectivo da pregação e ensino, bem como a evangelização dos indígenas além-mar
2.      Inquisição, com o objectivo de combater e punir as heresias e bruxarias
3.      Índex, com o objectivo de controlar as ideologias, funcionando como censura literária

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Renascimento


As Origens do Renascimento

Origem: Cidades Italianas 
Período: séculos XV e XVI
Características principais:

·         Visão antropocêntrica oposta à visão teocêntrica da Idade Média;
·         Atracção pela cultura clássica (Grega e Romana);
·         Prática do Mecenato
·         Arte típica das cidades ricas e prósperas

Valores e Atitudes

·         Humanismo (gosto pelas letras e artes clássicas, praticadas pelos humanistas);
·         Espírito Crítico
·         Individualismo

Grandes Humanistas

·         Maquiavel (O Príncipe)
·         Thomas More (A Utopia)
·         Erasmo de Roterdão (O Elogio da Loucura)
·         Damião de Góis


A Criação Literária e a Imprensa

·         Dante (A Divina Comédia)
·         W. Shakespeare (Romeu e Julieta)
·         Miguel de Cervantes (D. Quixote de la Mancha)
·         Camões (Os Lusíadas)
·         Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno …)

Esta imensa produção literária foi divulgada por toda a Europa, graças à imprensa, inventada em meados do século XV por Gutenberg, na Alemanha.


O alargamento da compreensão da natureza

Ao longo do século XV, fruto da expansão do conhecimento , resultado das viagens realizadas pelos portugueses e pela aplicação do espírito crítico, os cientistas do  Renascimento, realizaram enormes avanços na astronomia, matemática, geografia, física, botânica etc. Destas áreas destacam-se nomes como Copérnico, André Vesálio, Pedro Nunes, Garcia de Orta, Leonardo da Vinci, entre muitos outros.

  • Até finais do século XV, o Homem considerava a vida espiritual e os problemas religiosos como o centro de todos os seus interesses. Contudo, nos últimos tempos da Idade Média surgiu uma nova mentalidade e um novo ideal de vida. Primeiramente em Itália e de­pois nos outros países da Europa, os intelectuais começaram a ma­nifestar uma atitude nova face ao mundo. Então, o Homem colo­cou-se como centro do mundo, isto é, começou a reflectir sobre si e os seus problemas.
  • A esta visão mais ampla do Homem e do seu lugar no mundo damos o nome de antropocentrismo. Esta nova crença nas capacidades do Homem e nas suas reali­zações levou, nos séculos XV e XVI, a uma profunda mudança nas letras, artes, ciências e em todas as formas de pensamento.

ARTE RENASCENTISTA

  • A arte Renascentista que se espalhou um pouco por toda a Europa, nasceu em Itália, inspirada na arte greco-romana mas com características próprias, tanto na arquitectura como na pintura e escultura.
  • A arquitectura caracteriza-se por elementos clássicos como colunas, cúpulas, arcos de volta perfeita mas também com novas técnicas como pilastras, cornijas, balaustradas, florões, medalhões etc.
  • A pintura caracteriza-se pela paisagem, cenas ao ar livre e também temas religiosos e a representação do nu. Também criaram a ilusão de profundidade, apuraram a pintura a óleo e desenvolveram o equilíbrio da composição.
  • Na escultura representavam as figuras depois do estudo da anatomia humana. Também utilizaram a estátua equestre (utilização de cavalos). Uma das características da escultura renascentista é a disposição geométrica das figuras.
  • Em Itália os grandes centros de arte renascentista foram Florença, Roma e, mais tarde, Veneza. No resto da Europa destacaram-se Flandres e Países Baixos. Em Florença trabalharam grandes pintores como Boticelli e Leonardo da Vinci e escultores como Donatello.
  • Em Roma, tínhamos o grande Miguel Ângelo que foi simultaneamente Pintor, escultor e arquitecto e Rafael (pintor). Em Veneza destacaram-se Tintoreto e Ticiano. Os pintores de Veneza destacaram-se pela luz e cor.

sábado, 17 de dezembro de 2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Expansionismo Europeu

A Europa no Século XV

 O Conhecimento do Mundo
  • Conhecimento muito reduzido
  • Desconhecimento do continente americano
  • Pouca informação sobre a África e a Ásia
  • Mitos e lendas sobre o desconhecido
  • Os mapas medievais tinham falta de rigor
  • Pensava-se que os oceanos Atlântico e Indico estavam unidos e incomunicáveis.

Objectivos da expansão
  • Procura de ouro face ao crescimento das trocas comerciais;
  • A busca de acesso directo às especiarias.

Motivações portuguesas
  • A burguesia queria ter acesso ao ouro africano, às especiarias, açúcar e plantas tintureiras, escravos e regiões produtoras de escravos;
  • A nobreza pretendia aumentar os seus domínios senhoriais e obter novos cargos e títulos;
  • O clero, espalhar a fé cristã.

A prioridade portuguesa

  • Tradição marítima e bons portos de mar;
  • Paz política e estabilidade governativa;
  • Acesso a conhecimentos técnicos no domínio da navegação (herança judaica e muçulmana);
  • Divulgação e conhecimento de instrumentos de navegação como o astrolábio, a bússola e o quadrante;
  • Bons conhecimentos de astronomia e cálculo matemático;
  • Aperfeiçoamento da construção naval: caravela com a utilização do leme central e da vela triangular.

A Conquista de Ceuta: Motivações

  • Boa localização estratégica (Norte de África, junto ao Estreito de Gibraltar);
  • Ponto de chegada das rotas caravaneiras, vindas do interior de África;
  • Zona rica em cereais.
Resultados:
  • Facilidade na conquista;
  • Os muçulmanos desviaram as rotas para outras cidades;
  • Os campos de trigo foram devastados e abandonados:
  • Ceuta, tornou-se uma ilha cristã no meio de um mar de muçulmanos.

Expansão e Mudança nos Séculos XV e XVI

As primeiras viagens de descobrimento

  • Foram da iniciativa de D. Henrique, D. Pedro e do próprio rei (D. Duarte) e de alguns particulares;
  • As primeiras viagens foram de exploração marítima, junto à costa;
  • Em 1434, Gil Eanes, passou pela primeira vez o Cabo Bojador dando início às viagens de descobrimento.
Os arquipélagos da Madeira e dos Açores

  • Descoberta da Madeira (1419)
  • Descoberta do Açores (1427)
  • Por serem desabitados, foi necessário proceder à sua colonização;
  • As ilhas foram entregues a nobres a quem eram doadas grandes extensões de território, os capitães-donatários.
  • Os primeiros foram João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira na Madeira e Gonçalo Velho, de Santa Maria e S. Miguel nos Açores.

  • Muitos portugueses e  alguns estrangeiros se fixaram-se nesses territórios.
Principais produções dos arquipélagos

  • Na Madeira, a vinha e a cana-de-açúcar;
  • Nos Açores, os cereais, plantas tintureiras e a criação de gado


A política africana de D. Afonso V

  • 1460 – Abrandamento da expansão marítima com a morte do infante D. Henrique, e ao desinteresse do rei Afonso V pelas viagens de descoberta.

D. Afonso V
  • Promove expedições militares ao Norte de África
  • Conquista das cidades de Alcácer Ceguer, Arzila e Tanger;
  • Arrendamento da expansão marítima a Fernão Gomes, um rico burguês de Lisboa;
  • O contrato obrigava à exploração anual de 100 léguas para sul e ao pagamento de uma avultada quantia.
  • Foi explorado o Golfo da Guiné, e descobertas várias ilhas, entre elas S. Tomé e Príncipe.
D. João II

  • Traçou como objectivo principal chegar à Índia
  • Dispunha de condições económicas e científicas favoráveis;
  • Organizou três expedições decisivas:
  1. Viagens de Diogo Cão que explorou o litoral de Angola;
  2. As expedições por terra de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva;
  3. A viagem de Bartolomeu Dias em 1488 em que dobrou o Cabo das Tormentas (Boa Esperança) e permitiu a ligação dos oceanos Atlântico e Indico que ficava quase certa a esperança de chegar à Índia.

A Rivalidade Luso Castelhana e o Tratado de Tordesilhas

  • A rivalidade entre Castela e Portugal quanto à posse de territórios descobertos começa já no século XIV;
  • O Tratado de Alcáçovas (1479), estabeleceu um primeiro entendimento entre os dois estados. Castela reconhece o direito de Portugal aos territórios a sul das Canárias.
  • Cristóvão Colombo descobre a América em 1492, pensando ter atingido a Índia;
  • Em 1494 é assinado o Tratado de Tordesilhas que divide o mundo em dois hemisférios.
  • Portugal ficava então, com as terras e os mares descobertos a 370 léguas a ocidente das ilhas de Cabo Verde.

A Preparação da Viagem para o Oriente


  • Após a assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494, D. João II iniciou a preparação de uma expedição que levasse os seus navios à Índia.
  • Nessa data os portugueses já possuíam informação suficiente para a navegação no oceano atlântico, na arte de navegar e na cartografia;
  • As informações preciosas das expedições de Bartolomeu Dias e Pêro da Covilhã foram fundamentais para a preparação da viagem de Vasco da Gama.
  • Em Julho 1497 sai uma armada de Lisboa, comandada por Vasco da Gama em direcção à Índia;
  • Em Maio de 1498, Vasco da Gama chega a Calecut, ligando pela 1ª vez a Europa à Ásia pela Rota do Cabo.