sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Renascimento


As Origens do Renascimento

Origem: Cidades Italianas 
Período: séculos XV e XVI
Características principais:

·         Visão antropocêntrica oposta à visão teocêntrica da Idade Média;
·         Atracção pela cultura clássica (Grega e Romana);
·         Prática do Mecenato
·         Arte típica das cidades ricas e prósperas

Valores e Atitudes

·         Humanismo (gosto pelas letras e artes clássicas, praticadas pelos humanistas);
·         Espírito Crítico
·         Individualismo

Grandes Humanistas

·         Maquiavel (O Príncipe)
·         Thomas More (A Utopia)
·         Erasmo de Roterdão (O Elogio da Loucura)
·         Damião de Góis


A Criação Literária e a Imprensa

·         Dante (A Divina Comédia)
·         W. Shakespeare (Romeu e Julieta)
·         Miguel de Cervantes (D. Quixote de la Mancha)
·         Camões (Os Lusíadas)
·         Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno …)

Esta imensa produção literária foi divulgada por toda a Europa, graças à imprensa, inventada em meados do século XV por Gutenberg, na Alemanha.


O alargamento da compreensão da natureza

Ao longo do século XV, fruto da expansão do conhecimento , resultado das viagens realizadas pelos portugueses e pela aplicação do espírito crítico, os cientistas do  Renascimento, realizaram enormes avanços na astronomia, matemática, geografia, física, botânica etc. Destas áreas destacam-se nomes como Copérnico, André Vesálio, Pedro Nunes, Garcia de Orta, Leonardo da Vinci, entre muitos outros.

  • Até finais do século XV, o Homem considerava a vida espiritual e os problemas religiosos como o centro de todos os seus interesses. Contudo, nos últimos tempos da Idade Média surgiu uma nova mentalidade e um novo ideal de vida. Primeiramente em Itália e de­pois nos outros países da Europa, os intelectuais começaram a ma­nifestar uma atitude nova face ao mundo. Então, o Homem colo­cou-se como centro do mundo, isto é, começou a reflectir sobre si e os seus problemas.
  • A esta visão mais ampla do Homem e do seu lugar no mundo damos o nome de antropocentrismo. Esta nova crença nas capacidades do Homem e nas suas reali­zações levou, nos séculos XV e XVI, a uma profunda mudança nas letras, artes, ciências e em todas as formas de pensamento.

ARTE RENASCENTISTA

  • A arte Renascentista que se espalhou um pouco por toda a Europa, nasceu em Itália, inspirada na arte greco-romana mas com características próprias, tanto na arquitectura como na pintura e escultura.
  • A arquitectura caracteriza-se por elementos clássicos como colunas, cúpulas, arcos de volta perfeita mas também com novas técnicas como pilastras, cornijas, balaustradas, florões, medalhões etc.
  • A pintura caracteriza-se pela paisagem, cenas ao ar livre e também temas religiosos e a representação do nu. Também criaram a ilusão de profundidade, apuraram a pintura a óleo e desenvolveram o equilíbrio da composição.
  • Na escultura representavam as figuras depois do estudo da anatomia humana. Também utilizaram a estátua equestre (utilização de cavalos). Uma das características da escultura renascentista é a disposição geométrica das figuras.
  • Em Itália os grandes centros de arte renascentista foram Florença, Roma e, mais tarde, Veneza. No resto da Europa destacaram-se Flandres e Países Baixos. Em Florença trabalharam grandes pintores como Boticelli e Leonardo da Vinci e escultores como Donatello.
  • Em Roma, tínhamos o grande Miguel Ângelo que foi simultaneamente Pintor, escultor e arquitecto e Rafael (pintor). Em Veneza destacaram-se Tintoreto e Ticiano. Os pintores de Veneza destacaram-se pela luz e cor.

sábado, 17 de dezembro de 2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Expansionismo Europeu

A Europa no Século XV

 O Conhecimento do Mundo
  • Conhecimento muito reduzido
  • Desconhecimento do continente americano
  • Pouca informação sobre a África e a Ásia
  • Mitos e lendas sobre o desconhecido
  • Os mapas medievais tinham falta de rigor
  • Pensava-se que os oceanos Atlântico e Indico estavam unidos e incomunicáveis.

Objectivos da expansão
  • Procura de ouro face ao crescimento das trocas comerciais;
  • A busca de acesso directo às especiarias.

Motivações portuguesas
  • A burguesia queria ter acesso ao ouro africano, às especiarias, açúcar e plantas tintureiras, escravos e regiões produtoras de escravos;
  • A nobreza pretendia aumentar os seus domínios senhoriais e obter novos cargos e títulos;
  • O clero, espalhar a fé cristã.

A prioridade portuguesa

  • Tradição marítima e bons portos de mar;
  • Paz política e estabilidade governativa;
  • Acesso a conhecimentos técnicos no domínio da navegação (herança judaica e muçulmana);
  • Divulgação e conhecimento de instrumentos de navegação como o astrolábio, a bússola e o quadrante;
  • Bons conhecimentos de astronomia e cálculo matemático;
  • Aperfeiçoamento da construção naval: caravela com a utilização do leme central e da vela triangular.

A Conquista de Ceuta: Motivações

  • Boa localização estratégica (Norte de África, junto ao Estreito de Gibraltar);
  • Ponto de chegada das rotas caravaneiras, vindas do interior de África;
  • Zona rica em cereais.
Resultados:
  • Facilidade na conquista;
  • Os muçulmanos desviaram as rotas para outras cidades;
  • Os campos de trigo foram devastados e abandonados:
  • Ceuta, tornou-se uma ilha cristã no meio de um mar de muçulmanos.

Expansão e Mudança nos Séculos XV e XVI

As primeiras viagens de descobrimento

  • Foram da iniciativa de D. Henrique, D. Pedro e do próprio rei (D. Duarte) e de alguns particulares;
  • As primeiras viagens foram de exploração marítima, junto à costa;
  • Em 1434, Gil Eanes, passou pela primeira vez o Cabo Bojador dando início às viagens de descobrimento.
Os arquipélagos da Madeira e dos Açores

  • Descoberta da Madeira (1419)
  • Descoberta do Açores (1427)
  • Por serem desabitados, foi necessário proceder à sua colonização;
  • As ilhas foram entregues a nobres a quem eram doadas grandes extensões de território, os capitães-donatários.
  • Os primeiros foram João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira na Madeira e Gonçalo Velho, de Santa Maria e S. Miguel nos Açores.

  • Muitos portugueses e  alguns estrangeiros se fixaram-se nesses territórios.
Principais produções dos arquipélagos

  • Na Madeira, a vinha e a cana-de-açúcar;
  • Nos Açores, os cereais, plantas tintureiras e a criação de gado


A política africana de D. Afonso V

  • 1460 – Abrandamento da expansão marítima com a morte do infante D. Henrique, e ao desinteresse do rei Afonso V pelas viagens de descoberta.

D. Afonso V
  • Promove expedições militares ao Norte de África
  • Conquista das cidades de Alcácer Ceguer, Arzila e Tanger;
  • Arrendamento da expansão marítima a Fernão Gomes, um rico burguês de Lisboa;
  • O contrato obrigava à exploração anual de 100 léguas para sul e ao pagamento de uma avultada quantia.
  • Foi explorado o Golfo da Guiné, e descobertas várias ilhas, entre elas S. Tomé e Príncipe.
D. João II

  • Traçou como objectivo principal chegar à Índia
  • Dispunha de condições económicas e científicas favoráveis;
  • Organizou três expedições decisivas:
  1. Viagens de Diogo Cão que explorou o litoral de Angola;
  2. As expedições por terra de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva;
  3. A viagem de Bartolomeu Dias em 1488 em que dobrou o Cabo das Tormentas (Boa Esperança) e permitiu a ligação dos oceanos Atlântico e Indico que ficava quase certa a esperança de chegar à Índia.

A Rivalidade Luso Castelhana e o Tratado de Tordesilhas

  • A rivalidade entre Castela e Portugal quanto à posse de territórios descobertos começa já no século XIV;
  • O Tratado de Alcáçovas (1479), estabeleceu um primeiro entendimento entre os dois estados. Castela reconhece o direito de Portugal aos territórios a sul das Canárias.
  • Cristóvão Colombo descobre a América em 1492, pensando ter atingido a Índia;
  • Em 1494 é assinado o Tratado de Tordesilhas que divide o mundo em dois hemisférios.
  • Portugal ficava então, com as terras e os mares descobertos a 370 léguas a ocidente das ilhas de Cabo Verde.

A Preparação da Viagem para o Oriente


  • Após a assinatura do Tratado de Tordesilhas em 1494, D. João II iniciou a preparação de uma expedição que levasse os seus navios à Índia.
  • Nessa data os portugueses já possuíam informação suficiente para a navegação no oceano atlântico, na arte de navegar e na cartografia;
  • As informações preciosas das expedições de Bartolomeu Dias e Pêro da Covilhã foram fundamentais para a preparação da viagem de Vasco da Gama.
  • Em Julho 1497 sai uma armada de Lisboa, comandada por Vasco da Gama em direcção à Índia;
  • Em Maio de 1498, Vasco da Gama chega a Calecut, ligando pela 1ª vez a Europa à Ásia pela Rota do Cabo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

REVOLUÇAO DE 1383-1385


"Da fome, da peste e da guerra, livrai-nos Senhor!"
Esta era a prece mais ouvida durante o século XIV, devido à crise económica que se abateu sobre a Europa e que provocou grandes fomes e doenças epidémicas, das quais se destaca a peste negra que vitimou um terço da população.
A estas calamidades juntou-se uma outra não menos violenta e dramática: a Guerra dos Cem Anos que acabou por ter repercussões em quase todos os países, inclusivé nos da Península Ibérica, com as guerras fernandinas.
Perante a miséria, o desespero e o medo da morte, as populações agitam-se e revoltam-se contra os ricos e poderosos que sempre as exploraram.
Em Portugal vivia-se idêntica crise económica e social, agravada com a crise política que se seguiu à morte de D. Fernando, em Outubro de 1383.
A herdeira legítima do trono português era a filha de D. Fernando e de D. Leonor Teles, casada uns meses antes com o rei de Castela. Segundo o estabelecido no contrato de casamento, enquanto D. Beatriz não tivesse um filho maior, Portugal seria governado por D. Leonor, a rainha viúva.
Mas o povo não gostava de D. Leonor! Já em 1372, os mesteirais de Lisboa, seguidos depois pelos de Santarém, Alenquer, Tomar e Abrantes, se tinham manifestado violentamente contra o casamento de D. Fernando com D. Leonor, ousadia que foi duramente castigada.
Em 1383, o povo, a burguesia e alguns membros da baixa nobreza não se conformavam com o governo de D. Leonor, favorável aos interesses de Castela e da grande nobreza senhorial, tecendo então uma conspiração para matar o Conde João Fernandes Andeiro, amante e principal conselheiro político da rainha viúva. Esta conspiração foi chefiada por Álvaro Pais, rico burgês de Lisboa e Chanceler de D. Pedro e D. Fernando.

Para executar o plano da morte do Conde Andeiro foi escolhido D. João, Mestre da Ordem Militar de Avis, filho ilegítimo de D. Pedro e meio-irmão de D. Fernando.
O povo de Lisboa apoiou a morte do Conde Andeiro e passou a ter o papel mais importante na condução dos acontecimentos que se seguiram. Perante o alarme para acudirem ao Paço a fim de evitar a morte do Mestre por traição do Conde e da Rainha, os populares de Lisboa aclamam-no e proclamam-no "Regedor e Defensor do Reino" , obrigando alguns burgueses receosos a aceitar esta decisão.
Seguiram-se revoltas populares que alastraram por todo o país, dirigidas sobre - tudo contra os poderosos nobres e clérigos que recusavam aderir à causa do Mestre. O Bispo de Lisboa foi uma das muitas vítimas que morreu às mãos da vingança popular.
O país ficou dividido quanto à sucessão ao trono. A maior parte da nobreza apoiava D. Beatriz e o povo, a burguesia e a baixa nobreza apoiavam o Mestre de Avis.
O descontentamento popular e os impulsos revolucionários são depois canalizados para a defesa da independência de Portugal, quando o rei de Castela invade o país e cerca Lisboa, em 1384, para defender o direito ao trono da sua mulher, D. Beatriz.
Após longos meses de cerco a Lisboa, os exércitos castelhanos retiram-se com medo da peste que entretanto se tinha declarado e em Março de 1385 as Cortes reuniram em Coimbra a fim de escolher um rei entre os vários candidatos ao trono. Graças aos argumentos do Doutor João das Regras, foi aclamado rei o Mestre de Avis, com o nome de D. João I.
Mas o rei de Castela não se conformou com a decisão das Cortes portuguesas e voltou a invadir Portugal com um exército poderoso, no qual se incluíam alguns nobres portugueses que apoiavam D. Beatriz.
Em 14 de Agosto de 1385, os exércitos castelhano e português defrontaram-se em Aljubarrota, acabando a batalha com a vitória dos portugueses e a confirmação da independência de Portugal. Na preparação desta batalha destacou-se a estratégia e técnica militar do quadrado, levada a cabo por D. Nuno Álvares Pereira.

A Sociedade Medieval

 

“Sociedade feudal” é o termo usado para descrever a sociedade medieval. Tratava-se de um sistema ou organização baseado na atribuição de um pedaço de terra em troca de serviços. Na sociedade feudal, um dos conceitos base era o de lealdade.
O rei fazia doações de terra aos nobres do reino. Estes prometiam, em troca, defender o rei com soldados. Por sua vez, os nobres dividiam a sua terra com os cavaleiros. Na base desta organização social encontravam-se os camponeses, que trabalhavam a terra mediante promessa de protecção.

O padre, o cavaleiro e o camponês são três figuras que exprimem o essencial da Idade Média em termos de organização social. Estas ordens equivaliam a três actividades distintas: os que rezam, os que combatem e os que trabalham.

Os eclesiásticos consagravam a sua vida às tarefas espirituais e intelectuais. Podiam ser seculares, ou seja, viver na vida comum, como párocos ou ser regulares. Estes últimos eram monges e obedeciam a regras. Alguns viviam em minúsculos mosteiros, outros conheciam o luxo das catedrais e dos grandes centros de peregrinação. Todos se consagravam a missões sociais e eram sacerdotes, médicos, professores e conselheiros. Nenhum monge tinha bens próprios. As terras e casas o­nde viviam e a roupa e objectos que utilizavam só à Igreja pertenciam.

Os que combatiam eram os homens de guerra e tinham por missão garantir a paz. Os cavaleiros eram uma elite guerreira e tinham um importante estatuto na sociedade. A cavalaria representava o difícil equilíbrio entre a elegância e a brutalidade. Era o ideal de um mundo que vivia constantemente em guerra.

A maior parte das pessoas eram camponeses pobres. Cultivavam a terra e trabalhavam para um pequeno número de grandes proprietários de terras, que eram também chefes militares, geralmente cavaleiros. Em contrapartida, estes davam-lhes protecção contra os ataques inimigos.